História Ilustrada - Mini Cooper

Pequeno por fora, grande por dentro, um verdadeiro símbolo britânico que atravessou quatro décadas com o mesmo desenho básico e soma mais de 60 anos de história e inovação.

Nas duas últimas semanas falamos sobre carros esportivos icônicos, Lamborghini Countach e Ferrari F40. O mundo automotivo é democrático, um pequeno e simpático carro concebido com a premissa de ser popular e econômico, também é capaz de conquistar a admiração, inclusive, despertando grandes paixões, assim é com o Mini Cooper.

Um carro inconfundível, faróis redondos, a grade dianteira em formato trapezoidal, inicialmente com elementos verticais e horizontais, as pequenas luzes de direção eram um charme a parte, assim como as dobradiças de porta aparentes e janelas corrediças. No interior, instrumentos instalados no centro do painel, se resumiam ao básico, a grande seção vazia dava ainda mais sensação de amplitude.

Projetado por Alec Issigonis. o modelo foi fabricado pela BMC, British Motor Company, união entre Austin e Morris ocorrida em 1952. Desenvolvido em tempo recorde, após a crise do Canal de Suez de 1957, que prejudicou o fornecimento de petróleo no Mundo inteiro, a BMC em dois anos apresentava as versões finais do Morris Mini Minor e Austin Seven, muitas vezes grafado como Se7en em campanhas publicitárias. No visual e na mecânica, ambos carros eram idênticos, em 1962, foram exportados para França e Estados Unidos como Austin 850 e Morris 850, números que faziam referência a cilindrada do motor.

Um dos primeiros esboços de Alec Issigonis. Imagem:formtrends.com.

Apesar das medidas diminutas, apenas 3,05 metros de comprimento, o Mini era repleto de soluções inovadoras para época, algumas até mesmo para os dias atuais. Tração dianteira era algo incomum no final da década de 1950, a BMC não apenas adotou essa solução, como instalou em posição transversal, motor herdado do Austin A35 de tração traseira, assim como o câmbio de 4 marchas com primeira não sincronizada e última direta, relação 1:1. A posição do motor em um carro tão pequeno, garantiu ao Mini um maior aproveitamento do espaço interno.

Na suspensão mais soluções criativas, independente nas quatro rodas, contava com braços sobrepostos na dianteira e braço arrastado na traseira, a inovação estava por conta do elemento elástico, batentes de borracha cumpriam a função de mola. A grande desvantagem deste tipo de suspensão é sua rigidez, mas o Mini compensava a falta de conforto pela dirigibilidade elogiada. Pequeno britânico também foi pioneiro na adoção de juntas homocinéticas que são adotadas em carros de tração dianteira até dias atuais, veículos de tração dianteira anteriores eram sensíveis a aplicação de potência, alterando o peso da direção e passando movimentos indesejáveis para o volante.

Pequeno por fora, grande por dentro, painel central e simplicidade, bom aproveitamento de espaço graças ao motor transversal e tração dianteira. Imagem:viaretro.com.

Os freios eram a tambor nas quatro rodas, apesar do tamanho, as rodas tinham apenas 10 polegadas de diâmetro, eram suficientes para parar o pequeno carro. Com peso de apenas 585 kg, desenvolvia a potência máxima de 30 cv e atingia a velocidade máxima de 115 km/h, seu grande trunfo ia além da dirigibilidade e do espaço interno, destacava-se também a economia, 20 quilômetros com 1 litro de gasolina.

Um homem, um nome e o surgimento de uma lenda

Morris Mini Cooper S 1964 participando de uma prova do Rally de Monte Carlo. Imagem:supercars.net

Em 1961, surgia então a versão mais potente do Mini, o Cooper. Desenvolvida com o auxílio do projetista de carros de Fórmula 1 e rali John Cooper, o Mini Cooper recebia melhorias na mecânica, o motor tinha a cilindrada aumentada para 998 cm³, atingindo os 54 cv de potência, a alimentação passava a ser feita por 2 carburadores SU e a taxa de compressão era elevada para 9:1, os freios dianteiros passavam a ser a disco. A transmissão também recebia mudanças, com escalonamento de marchas mais curto, o Mini ficava ainda mais ágil e divertido, a velocidade máxima passava para 145 km/h. Com o sucesso da versão, havia uma opção ainda mais potente, a Cooper S, com motor de 1.071 cm³, chegando aos 70 cv, alcançava 160 km/h. Com comportamento comparável ao de um kart, começa a fazer sucesso nos ralis e autódromos.

Mini Cooper S equipado com rodas Mini-Lite e extensores (fenders), nos para-lamas. Imagem: bringatrailer.com.

No ano de 1964, o Cooper S passava a contar com motor de 1.275 cm³, a potência era elevada para 78 cv. Foi neste ano que o Mini Cooper adquiriu características que são replicadas ainda hoje nos carros modernos, as duas faixas brancas no capô, saída de escapamento central, além de travas de borracha no capô, rodas de alumínio Mini-Lite e extensores de para-lamas em algumas versões, graças a adoção de pneus mais largos. Por dentro, volante de três raios, painel com conta-giros, velocímetro, graduado até 200 km/h e demais instrumentos agrupados no centro do painel, posição que para muitos é um tanto incomoda. O Cooper S contava ainda com 2 tanques de combustível, com capacidade total para 60 litros, o porta-malas era sacrificado, com capacidade de apenas 120 litros, mas o S não era um carro com a menor pretensão familiar.

A primeira evolução no design do Mini ocorria em 1967, a grade ficava ainda mais com formato de trapézio invertido, as portas perdiam as dobradiças aparentes e os vidros das portas passavam a ter abertura convencional, na traseira, novas lanternas e vidro mais amplo completavam a atualização, denominada Mark II ou simplesmente MKII. Em 1967, a BMC se juntava a Leyland, formando assim a Brtish Leyland Corporation.

Mini Cooper S 1967, já sem dobradiças aparentes e vidros dianteiros descendentes, não mais corrediços. Imagem:bringatrailer.com

A fusão com a Leyland, desagradou muitas pessoas, o carro deixa de ser fabricado na fábrica da Morris em Cowley, renomeado para Mini 850 ou Mini 1000 conforme a motorização. Uma das soluções criativas do modelo também desaparecia, a suspensão abandonava os coxins de borracha, adotando estrutura McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. Em 1971, após as mudanças o Mini entrava em sua terceira geração, MKIII.

1275 GT e sua frente polêmica, alternativa após a descontinuação do Cooper em 1972. Imagem: car-from-uk.com.

Em 1972, o Cooper S foi substituído pelo 1275 GT, com a tentativa de modernizar o carro, era adotada uma grade dianteira retangular embutida no painel frontal, os faróis eram integrados a esta grade. Na lateral a versão era identificada com as faixas pretas com a inscrição 1275 GT. Apesar da tentativa, o GT não agradou aos puristas, mas não deixava de ser uma alternativa ao Cooper S.

Já sob controle da BMW, o luxuoso Rover Mini Balmoral Edition, destaque para o amplo teto solar em lona. Imagem:pch-automotive.be

O modelo permaneceu popular ao longo da década de 1980, sofrendo poucas mudanças no estilo e com muitas versões especiais. Em 1994, a BMW adquiria o grupo Rover, detentora da marca Mini desde 1984. Com poucas mudanças, como a adoção de injeção eletrônica, e a luxuosa versão 35 Balmoral, com teto solar de lona, pintura metálica, painel em madeira nobre e até air-bag, se enquadrando na legislação. 

Em 1999, era lançada após 40 anos, a série final do Mini clássico, em três versões comemorativas: Classic Seven, Classic Cooper e Classic Cooper Sport, para exportação a versão final era nomeada Knightsbridge. O último carro deixou a linha de produção em outubro de 2000, após mais de 5,3 milhões de unidades pruzidas no Reino Unido, África do Sul, Austrália, Bélgica, Chile, Espanha, Itália, Iugoslávia, Portugal, Uruguai e Venezuela. Uma triste coincidência foi a morte de John Cooper, em dezembro do mesmo ano.

Rover Classic Cooper Sport Final Edition, marcava a despedida após 40 anos. Imagem: img.pistonheads.com

A história da Mini continua viva, ainda sob tutela da BMW, não é um carro tão pequeno, mas uma justa homenagem ao ícone inglês, tão simbólico quanto os Black Taxi, o Big Ben, a Guarda Real Britânica, o Palácio de Buckingham, o metrô e as cabines telefônicas londrinas. Foi ainda carro do Mr. Bean, vivido por Rowan Atinkson, e claro, protagonista no filme Italian Job (Golpe à Italiana),  de 1969. Em 2019, o Mini completou 60 anos, ainda em forma e com folego para inovar.



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