História Ilustrada - Fiat Uno
Com praticamente 3 décadas de história, o Fiat Uno conquistou o brasileiro por sua racionalidade e o pioneirismo do carro popular moderno, chegando inclusive a ser o veículo 1.0 mais potente do mundo.
Impossível falar em Fiat Uno sem falar em carro popular, mas afinal, qual é a definição de carro popular? Jamais termos uma resposta concreta para esta questão, o conceito de carro popular mudou muito com o tempo, não apenas no Brasil, mas a nível mundial, o conceito conforme a realidade socioeconômica de cada nação, mesmo em países vizinhos, com organização social semelhante, a definição é passível de variação.
No Brasil, o conceito de carro popular mudou pouco com o passar das décadas, até o início da década de 1970, o Fusca reinou absoluto como carro popular, com a chegada do Chevette em 1973, três anos depois, em 1976, a concorrência aumentava com a chegada da Fiat ao Brasil, com o 147. Em 1980, a Volkswagen lançava o Gol, mesmo utilizando o motor do Fusca, o projeto mais moderno, com tração dianteira, maior aproveitamento de espaço e porta-malas, aos poucos roubou clientes do Fusca que teve sobrevida até 1986, convivendo já com o Gol de arrefecimento líquido. Apenas quatro anos após o Gol, a Fiat substituía o 147 pelo Uno, apresentado na Itália em 1983, em poucos anos, protagonizaria uma história de sucesso em terras brasileiras.
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| Fiat Uno europeu, note a diferença no desenho do capô e para-lamas dianteiros, o capô envolvente do carro brasileiro tinha a função de abrigar o estepe. Imagem:autoevolution.com |
Embora seguisse o design do carro europeu, idealizado por Giorgetto Giugiaro, o nosso Uno era diferente, externamente o capô e os para-lamas dianteiros, embora seguissem o mesmo desenho, revelavam uma notável diferença, o carro brasileiro contava com capô envolvente e para-lamas que não seguiam até a linha do para-brisa, o motivo, a plataforma era reaproveitada do 147, baseado no 127 italiano.
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| Suspensão traseira do Uno nacional, resistente, porém desconfortável. Imagem: clubedotempra.com.br |
Mais simples, o Uno brasileiro adotava soluções inteligentes, ao aproveitar a plataforma do 147, herdou o estepe no cofre do motor, o que explica a pequena diferença no design, outro ponto distinto está na suspensão traseira independente do tipo McPherson, com feixe de molas transversal. enquanto o modelo europeu era equipado com eixo de torção, herdando o desconforto e a necessidade de alinhamento constante, porém, mais resistente do que o eixo de torção do modelo europeu, que em testes realizados em ruas brasileiras, tinha a durabilidade dos amortecedores inferior a 5 mil quilômetros.
O pioneiro do motor 1.0 e a vocação popular
Embora não seja de fato o primeiro carro nacional com motor de 1000 cm³, o título cabe na verdade aos DKW, com seu motor de três cilindros e ciclo 2 tempos, o Uno é o primeiro popular a se enquadrar na lei que reduzia os tributos para veículos 0km nessa faixa de cilindrada.
O Uno Mille lançado em 1990, trazia uma versão com o curso reduzido do Fiasa, com 994 cm³, equipado ainda com carburador e ignição por platinado, o Mille utilizava o motor 1050 cm³, reduzido, a potência caia de 52 cv para 48 cv, o torque também era modesto, apenas 7,4 kgfm, porém, o comportamento do motor era agradável, subindo de giro com facilidade, cabia ao modelo também um câmbio com apenas 4 marchas, a caixa de 5 velocidades era opcional.
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| Em 1994, o Uno Mille recebia as mudanças visuais adotadas 2 anos antes no restante da linha. Imagem:motortudo.com |
O forte do Uno Mille não era o desempenho, nem mesmo os equipamentos de série. Os 100 km/h levavam longos 21 segundos e a velocidade máxima era de apenas aceitáveis 135 km/h. Para o curte de custos, itens como bancos reclináveis com encosto de cabeça, servo-freio, faróis com lâmpadas halógenas, limpador elétrico do para-brisa, retrovisor com função dia/noite e retrovisor do lado direito eram opcionais. Em relação as demais versões do Uno, o interior contava com revestimento mais simples, ausência de saídas de ar nas laterais do painel, supressão do termômetro do motor e do repetidor de seta na lateral, item que seria retirado de todos os modelos em 1992.
Em 1992, toda linha Uno havia recebido um facelift, faróis e grade com perfis mais baixo seguiam o modelo italiano, embora o capô continuasse o mesmo no carro nacional, porém, o Mille não recebia a mudança visual, mas em novembro do mesmo ano, passava a contar com ignição eletrônica e carburador duplo, o que permitiu também um incremento na taxa de compressão, melhorias já presentes no Uno Mille Brio, superando assim seus rivais diretos, Gol 1000 e Chevette Junior em potência, além disso, assumindo o posto de veículo 1.0 mais rápido do mundo em sua época, cumprindo a aceleração de 0 a 100 km/h em 17,5 segundos e velocidade máxima de 152 km/h.
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| Mille Smart, marcava a chegada do motor Fire em 2001; Imagem: boomveiculos.com.br |
O pioneirismo do Uno não parou por ai, foi o primeiro carro 1.0 a oferecer carroceria de 4 portas e ar-condicionado opcional, com sistema que desarmava o compressor durante acelerações bruscas, facilitando as retomadas e ultrapassagens. Em 1993, o modelo popular passava a ser chamado apenas de Mille, com emblema inspirado na arquitetura do Palácio da Alvorada. Em 1995, o Mille alinhava o visual com o restante da linha e deixava de ser Mille ou Mille Eletronic, agora com injeção eletrônica, seria denominado como Mille i.e. e na versão mais completa EP, a potência era elevada para 58 cv e o torque para 8,2 kgfm.
Convivendo com o Palio, criado com a finalidade de substituir o Uno em 1996, restou apenas o Mille, a versão inclusive era agora o nome do carro. Em 2001, com mudanças na grade dianteira e volante de 4 raios, o Mille Smart adotava agora o motor Fire 1.0, já utilizado no Palio e no Uno europeu desde seu lançamento. O motor Fire era mais leve do que seu antecessor, a potência era reduzida para 55 cv, porém, o torque passava a 8,5 kgfm, disponíveis em giro mais baixo, o consumo podia atingir até 20 km/l, no uso misto urbano-rodoviário.
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| A mudança mais extensa no Mille ocorreu em 2004, dois anos depois, chegava ao mercado a versão Way com suspensão elevada. Imagem: Divulgação Fiat |
O Mille passaria por sua maior mudança visual em 2004, mas isso não significa evolução. Com design carregado, dianteira com detalhes que remetiam à linha Adventure, com entradas de ar exageradas, na traseira, as lanternas assumiam um perfil mais baixo, o que deixava a traseira tão desproporcional quanto a dianteira.
No interior, chapa aparente, plásticos de baixa qualidade e um ambiente mais espartano inclusive do que o do primeiro Uno Mille. No ano seguinte, a novidade era o motor flexível, a potência subia para 65/66 cv, abastecido com gasolina e etanol respectivamente, o torque também era alterado para 9,1/9,2 kgfm, mantendo a mesma ordem. Com poucas alterações o Mille seguia vivo, em 2006, era lançada a versão com suspensão elevada, a Way, 3 anos depois era introduzido o Mille Economy que recebia pequenas alterações visando a redução de consumo de combustível.
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| A versão de encerramento do Mille, a Grazie Mille, era uma forma da Fiat agradecer ao carro que ajudou a marca a se tornar líder de vendas por mais de uma década no Brasil. Imagem: Divulgação Fiat |
Em 2013, o Mille deixava de ser produzido, não por causa de número de vendas, sua aceitação no mercado era boa, porém, a legislação passava a exigir freios ABS e air-bag duplo de série, itens que a plataforma não comportava. A despedida foi marcada pela versão Grazie Mille.








Até hoje segue sendo meu carro popular favorito, não pensaria duas vezes em comprar um.
ResponderExcluirEsses modelos com a frente mais antiga já estão valorizando demais, é um carro extremamente racional, se for Fire, ainda melhor.
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