A fuga dos Bandeirantes

Assim como tem ocorrido com a Kombi da Volkswagen, o Toyota Bandeirante tem se tornado alvo de exportações, versão brasileira do Land Cruiser FJ40, valorizado no mercado mundial, no Brasil não recebeu ainda o status de colecionável, mesmo sendo um dos queridinhos no fora-de-estrada.

Bandeirante 1994 anunciado no Bring A Trailer, lances encerrados em 17 de junho de 2021. Imagem:bringatrailer.com.

Há alguns anos, o Brasil é palco de um fenômeno nunca antes vistos, a exportação de veículos antigos em larga escala, sobre tudo modelos Volkswagen como a Kombi de primeira geração, a famosa corujinha. Pode não parecer, mas os serviços de restauração realizado por oficinas brasileiras é cada vez mais procurado por estrangeiros, o capricho, os processos artesanais e a mão-de-obra barata são parte do atrativo, bem como a abundância de alguns modelos cobiçados nos Estados Unidos e Europa.

Atualmente existe um novo mercado exportador se iniciando no país, desta vez o alvo é o Toyota Bandeirante, ou, Land Cruiser FJ40, no restante do planeta, exceto na Venezuela, onde era o Toyota Macho. Lançado em 1960, o Bandeirante chegou ao mercado brasileiro em 1968, sendo o primeiro veículo da Toyota fabricado no Brasil, permanecendo em linha até 2001, no restante do mundo, o FJ40 havia saído de linha em 1984.

Motor Mercedes-Benz OM-314, motores da montadora alemã equiparam o jipe brasileiro até 1994, quando foram substituídos pelo Toyota 14B. Imagem:bringatrailer.com.

Ao abrir o site de leilões norte-americano Bring A Trailer, é fácil notar o movimento de exportação do Bandeirante, o FJ40 e suas variações para os Estados Unidos, inclusive versões nunca ofertadas naquele mercado, como a picape cabine dupla, por exemplo. O movimento não atinge apenas o Brasil, mas outros mercados latino americanos, veículos com origem na Venezuela, Costa Rica e até de origem europeia, de países como FrançaEspanha e Portugal, são encontrados nas seções de veículos comercializados no site.

Uma grande diferença do Bandeirante era a motorização, enquanto nos outros países eram empregados os motores Toyota 6 cilindros em linha a gasolina e versões 4 cilindros diesel, no Brasil, os motores eram fornecidos pela Mercedes-Benz. Inicialmente o OM-324, substituído em 1973 pelo OM-314, em 1989 uma nova mudança, era adotado o OM-364, e por fim, em 1994, o Bandeirante passava a ser um Toyota completo com a adoção do motor 14B, também diesel, mas da própria montadora.

Meio de transporte ainda comum no sertão nordestino, o Bandeirante alongado ainda é sucesso. Imagem: lexicarbrasil.com.br

Embora valorizado pelos amantes de off-road no Brasil, o Bandeirante não adquiriu espaço de destaque em coleções de antigos no país. No sertão nordestino ainda hoje são utilizados jipes alongados no transporte de passageiros, sendo os Toyotas os preferidos pela confiabilidade e a fácil manutenção do motor Mercedes. Assim como a exportações envolvendo Kombis, o caminho do Bandeirante parece ser sem volta, com passagem apenas de ida para solo estrangeiro.

Modelos brasileiros já comercializados nos EUA:

Bandeirante 1991 OJ 50, jipe capota rígida

Bandeirante 1992 OJ 55 picape cabine dupla teto e portas de lona

Bandeirante 1984 OJ 75 picape cabine dupla 2 portas teto rígido, modificado com motor Chevrolet V8 350

Bandeirante 1995 BJ 55 picape cabine dupla 2 portas teto rígido

Bandeirante 1989 OJ 55 picape cabine dupla 2 portas teto rígido

Bandeirante 1991 OJ 55 picape cabine dupla 2 portas teto rígido

Bandeirante 1988 OJ 55 picape cabine dupla 2 portas caçamba de madeira


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