Chevrolet Opala: 45 anos de um ícone.
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| Aparência dos primeiros Opalas (racegarage.wordpress.com) |
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| Opel Rekord C (http://upload.wikimedia.org) |
O nome Opala foi escolhido como alusão a pedra preciosa de mesmo nome e
não da junção entre Opel e Impala como muitos afirmam, tudo bem que a
carroceria é baseada em um modelo alemão e tinha o motor do carro americano,
mas essa afirmação é muito vaga. O Opala contava em seu lançamento com a
carroceria de 4 portas e duas opções de acabamento, a básica e a
versão Luxo. Sua carroceria apresentava uma leve ondulação na lateral, o estilo
conhecido como garrafa de Coca-Cola, essas linhas eram a sensação na época e
surgiu no Corvette, os faróis redondos vinham em meio a uma grade de frisos
horizontais cromados e os piscas vinham abaixo do para-choque. No Luxo as
pequenas lanternas traseiras eram ligadas por uma frisada com a inscrição
Chevrolet, ás luzes ré vinham instaladas abaixo do para-choque, a placa era
fixada abaixo do mesmo e nas laterais traseiras vinham as inscrições Opala e o
motor utilizado, o 3800 de 6 cilindros ou 2500 essa versão de 4 cilindros e
aplicada na maior parte na versão Especial. As rodas recebiam em ambas as
versões calotas cromadas e pneus com faixa branca.
Os motores de 4 e 6 cilindros tinham a mesmas medidas no diâmetro e no
curso dos pistões: 98,4 mm X 82,5 mm. O quatro cilindros tinha a cilindrada de
2.509 cm³ ou 153 pol³ que desenvolvia 80 cv de potência, o seis cilindros obtia
a cilindrada de 3.764 cm³ ou 230 pol³ desenvolvendo a potência máxima de 125
cv. Ambos os motores eram robustos e tinham cabeçote e bloco em ferro fundido,
comando de válvulas no bloco e acionamento de válvulas por varetas, ambos eram
alimentados por um carburador de corpo simples. Os motores do Opala tinham como
origem motores da GM americana, o 2,5 litro equipava o Nova 1961, e era o
primeiro motor de 4 cilindros da marca desde 1928, o 6 cilindros vinha do
Impala de 1963, era um motor robusto e foi base para produtos do grupo até os
anos 80, além de ter sido usado como motores estacionários, em ônibus escolares
e empilhadeiras posteriormente, tudo devido a sua confiabilidade e suavidade de
funcionamento, além de não requerer regulagem de válvulas por contar com tuchos
hidráulicos.
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| Opala na Stock Car, uma das muitas competições em que marcou presença. (http://carsale.uol.com.br) |
O desempenho do 3800 agradava o público, a velocidade máxima de 165 km/h
e acelerava de 0 a 100 km/h em 13 segundos, foi o carro nacional mais rápido
mas um ano depois perderia o posto para o Dodge Dart, o motor de 4 cilindros
tinha o torque necessário, porem não empolgava por ser muito áspero a ponto de
ser comparado com o motor diesel do Toyota Bandeirante. Com o passar dos anos
ficou clara a deficiência na distribuição da mistura ar-combustível, onde os
cilindros das extremidades recebiam uma mistura pobre e nos centrais a mistura
era mais rica, uma preparação com 2 ou 3 carburadores duplos sanavam a
deficiência, e foi largamente empregado nos carros da Stock Car.
Em ambas as versões o cambio contava com 3 marchas de acionamento na
coluna de direção, tração traseira, suspensão dianteira independente e traseira
com eixo rígido e molas helicoidais em ambos eixos. Na dianteira um subchassi
parafusado ao monobloco sustentava os elementos da suspensão, as rodas eram de
aço de 14 polegadas e vinham dotadas dos primeiros pneus sem câmara de ar em um
carro nacional. Outra novidade presente no Opala eram os freios auto ajustáveis,
onde a regulagem da folga era feita após com uma frenagem após uma pequena
marcha a ré, mas os freios sofriam de fadiga rapidamente pois os freios
dianteiros ainda eram a tambor.
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| Opala SS primeira versão ainda com 4 portas. ( http://revistaautoesporte.globo.com) |
No ano de 1971 surgia um ícone o Opala SS, ainda disponível apenas na
versão de 4 portas o carro trazia as clássicas faixas pretas no capô, laterais
e traseira, estilo já consagrado com a linha Super Sport da GM americana, as
rodas tinham um desenho mais esportivo e tala de 5 polegadas, no interior
bancos dianteiros individuais, volante de 3 raios e aro de madeira e
conta-giros no lugar do relógio que descia para o console central exclusivo da
versão, rádio e ar condicionado poderiam equipar opcionalmente a versão
esportiva.
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| Opala 1972 cupê na versão SS. (http://parachoquescromados.files.wordpress.com/2010/07/1972.jpg) |
Para 1972, chega enfim o cupê de estilo fastback, o motor 3,8 l era
substituído pelo 4.1 e toda linha recebia trava de direção e tampa do bacal de
combustível com chave. Para 1973 nova mudança na grade dianteira a grade agora
apresentava um único friso cromado com a gravatinha da Chevrolet no centro em
algumas versões, as luzes de direção passavam a vir nas extremidades dos
para-lamas dianteiros e na traseira luzes de ré ao lado da pequena lanterna,
com exceção do SS onde elas permaneciam abaixo do para-choque, bancos
individuais e ar condicionado passavam a ser opcionais em toda linha, toda
linha 6 cilindros passava a receber freio a disco na dianteira com servo-freio
e haviam ainda mudanças no painel e no volante.
Em 1974 o motor de 4 cilindros enfim passava por modificações, esse
motor passou de 153 pol³ para 151 pol³, o que não alterou o valor significativo
em centímetros cúbicos, a redução de cilindrada foi dada com aumento do
diâmetro dos pistões para 101,6 mm e a redução do curso para 76,2 mm, um
volante do motor de maior massa deixou o funcionamento do motor muito mais
suave e o motor passava dos 80 cv para 93 cv e foi uma mudança chave para o
sucesso da versão de 4 cilindros, era oferecido também cambio automático de 3
marchas inclusive para o 4 cilindros, seu acionamento era feito por uma
alavanca ainda na coluna de direção.
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| Caravan 75 testada pela revista Quatro Rodas. |
Em 1975 o Opala ganhou sua primeira mudança de estilo e a linha crescia
com a chegada da perua Caravan e chegava a versão luxuosa Comodoro, a Caravan
era uma versão da perua Opel, mas foi disponibilizada apenas na versão 3 portas
com 4 ou 6 cilindros, assim como no Opala, seu maior atrativo era o amplo porta
malas. Como em todas reestilizações do Opala apenas frente e traseira recebiam
modificações, o capô passava a abrir para frente, os faróis circulares traziam
piscas instalados logo ao lado, a grade era formada por um conjunto de
retângulos e na traseira 2 pares de lanternas circulares sendo as internas com
a luz de ré integradas, a mudança foi harmoniosa mesmo sem mudanças nas
laterais, algo que não mais aconteceria nas modificações posteriores.
O Comodoro trazia um acabamento luxuoso, teto revestido em vinil, painel
com apliques de jacarandá, rádio, relógio, direção hidráulica como opcional e
pneus mais largos. A versão básica era designada apenas de Opala e no SS novos
bancos com encosto ajustável e apoio de cabeça vinha de série, ainda no modelo
esportivo, o revestimento interno era mais simples e alguns itens eram
eliminados, entre eles o relógio, o motor ganhava 8 cv totalizando 148 cv com a
adoção de um carburador de corpo duplo, o sistema de arrefecimento passava a
ser selado.
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| Linha Opala 1978, novas linhas na frente e na traseira desde de 1975 e a perua Caravan adicionada no mesmo ano. (http://parachoquescromados.files.wordpress.com) |
A suspensão dianteira também recebia melhorias, uma manga de eixo mais
robusta eliminava a flexão na ponta do eixo em relação das mangas com as curvas
que afastavam as pastilhas dos discos, o que fazia que os Opalas de competição
acenderem a luz de frio em retas, mas era apenas o piloto retornando as
pastilhas para a posição de frenagem, já que o problema se manifestava mais
frequentemente nas pistas.
Na linha 1976 a taxa de compressão era ligeiramente aumentada de 7:1
para 7,5:1 e o motor 151-S estava disponível em toda linha e não mais apenas no
SS-4. O acabamento interno passava a ser monocromático preto ou marrom e havia
a opção pelos bancos individuais reclináveis com ou sem encosto alto. O
Comodoro cupê podia ser equipado com meio teto de vinil conhecido como “Las
Vegas” e, cambio automático com alavanca no console.
Ainda em 1976 passava a ser oferecido o venerado motor 250-S. Era o
conhecido 4.1 porém, era claramente um motor de temperamento esportivo,
utilizava tuchos mecânicos no lugar dos hidráulicos o que permitia rotações
mais elevadas, a taxa de compressão passava a 8,5:1, o que exigia gasolina de
maior octanagem, o comando de válvulas trazia uma maior graduação e tempo de
abertura das válvulas e o carburador era de corpo duplo. A potência chegava aos
171 cv medidos no motor e a aceleração até os 100 km/h era cumprida em apenas
10 segundos e a velocidade máxima beirava os 200 km/h. O SS ganhava rodas de
aço com 6 polegadas de largura e faróis de neblina, o motor 250-S foi utilizado
até mesmo na Caravan que ganhou a versão SS em 1978.
Em 1978 o Comodoro também podia ser equipado com o motor de 4 cilindros
e podia vir com o interior na cor vinho, conhecido como Chateau, a versão
também foi oferecida na Caravan com acabamento mais luxuoso, console com
relógio e conta-giros e por fora faróis de neblina. Em 1979 era oferecido um
carburado de corpo duplo com dois estágios, tanque de combustível ampliado em
10 litros totalizando 65 litros e freio de estacionamento entre os bancos
dianteiros. Era apresentada também a versão Diplomata, mais luxuoso que o
Comodoro trazia revestimento com tecido aveludado, console em vinil, ar
condicionado, rodas de alumínio e acabamento prateado na grade e nos aros dos
faróis, a versão Diplomata constava no manual, mas nunca foi comercializado
nesse ano/modelo, o SS trazia retrovisores esportivos em ambos os lados.
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| Linhas mais quadradas para os anos 1980. ( |
Para 1980, uma nova reestilização, eram adotadas uma nova dianteira e
uma nova traseira, ambas de linhas mais quadradas que dominaram essa década, a
seção lateral no entanto permanecia a mesma. Os faróis eram quadrados, os
para-choques ficavam mais largos e ganhavam uma faixa central na cor preta, no
SS os para-choques vinham na cor da carroceria, as luzes de direção agora eram
envolventes instaladas junto aos faróis, na traseira as lanternas ficavam
retangulares no cupê e no sedan e vinham em formato trapezoidal na Caravan e o
bocal de abastecimento agora vinha ocultado pela placa traseira nos Opalas. Os
pneus passavam a ser de construção radial, o que fez com que fosse adotada uma
nova calibração na suspensão. Outra novidade no mesmo ano era o motor 4
cilindros a álcool que ganhava 8 cv totalizando 98 cv. O Diplomata seguia com
ar condicionado ainda não integrado ao painel, toca-fitas, antena elétrica,
rodas de alumínio e direção assistida de série e como opcionais podia ser
adicionados teto com revestimento em vinil, cambio automático e o motor 250-S.
No ano seguinte o interior era remodelado, o painel tinha linhas mais
retas e era totalmente feito em plástico, os instrumentos eram divididos em 3
círculos no circulo direito era instalado o conta-giros no Diplomata e no SS, o
Comodoro trazia um relógio e na versão básica não havia instrumentação neste
espaço. O Diplomata trazia ainda voltímetro e vacuômetro no console central. A
Caravan oferecia como opcional limpador do vidro traseiro, e toda linha passava
a contar com válvula limitadora de pressão nos freios traseiros, diminuindo a
tendência das mesmas travar em frenagens bruscas. O SS deixava de ser
oferecido. Uma série especial a Silver Star com acabamento simplificado, era
oferecida nas cores azul e verde metálico, em 1982 o Diplomata ganhava para-brisas
laminado com faixa degrade, volante acolchoado e vidros verdes.
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| Caravan Diplomata linha 85/87, faróis de longo alcance e pintura opcional em 2 tons ( |
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| 1988 ultimo ano do cupê. (opala.com) |
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| Opala L na frota da Polícia Militar do Estado de São Paulo. (http://www.projeto676.com.br) |
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| Diplomata 1990, lanternas fumê. ( |
Em 1991 chegava a ultima alteração de estilo, o que marcou a despedida
do Opala. Os para-choques em plástico eram envolventes, a grade dianteira era
nova, as rodas passavam a vim na medida de 15 polegadas com pneus 195/65 no
Diplomata. As portas dianteiras perdiam os quebra-vento e os retrovisores vinham
fixados na extremidade dos vidros dianteiros. No interior um novo volante de
melhor empunhadura, painéis das portas e teto com revestimento pré-moldado. O
carro passava a contar com freio a disco nas 4 rodas, a direção assistida agora
contava com controle eletrônico Servotronic que nunca mais foi usada em nenhum
carro de passeio nacional, o Opala ganhava catalisador para atender as normas
de emissões e o motor de 6 cilindros podia ser acompanhado de uma transmissão
de 5 marchas.
Quando completava 1 milhão de unidades produzidas o ultimo Opala despedia-se
no dia 16 de abril de 1992, os últimos a saírem da linha de montagem foram um
Diplomata automático e uma Caravan ambulância, houve uma edição de despedida a
Collector estimada entre 150 e 200 carros produzidos e vinha acompanhado de um
certificado, uma fita que contava toda trajetória do modelo e uma chave banhada
a ouro.
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| Diplomata Automatic e Caravan ambulância, últimos saindo da linha de montagem. ( |
Poucos carros conseguem uma legião de novos fanas mesmo após 21 anos de
terem deixado a linha de produção, o Opala certamente é um desses carros e como
um grande admirador do modelo não poderia deixar passar em branco a data que
comemora os 45 anos de seu lançamento, o Opala acima de tudo é um estilo de
vido, nunca fale mal do Opala para quem é apaixonado pelo modelo, certamente
ele terá argumento para provar o quão digno esse carro é de admiração, contou
com equipamentos que poucos carros ofereceram ou nenhum outro modelo fabricado
no Brasil chegou a oferecer, e essa é a história do Opala 1 milhão de unidades
em 24 anos e muitos admirados nessas quatro décadas e meia.













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