Volkswagen Voyage (G I)
Em 1981, um ano após o lançamento do Gol, a família BX da Volkswagen
brasileira ganha seu segundo integrante, o Voyage. Apesar de derivar do hatch o
sedan compacto guardava suas diferenças, a começar pela dianteira onde os
faróis eram maiores comparados ao do Gol e com piscas instalados ao lado dos
mesmos, no Gol eles ficavam no para-choque. A caída do teto não era acentuada
no sedan o que lhe conferia um espaço extra para a cabeça dos ocupantes do
banco traseiro, e na traseira era onde aparecia o terceiro volume do porta
malas destacado que tinha capacidade para 420 litros de bagagem, mesmo trazendo
o estepe localizado na lateral, o que consequentemente roubava algum espaço.
O Voyage desde seu lançamento foi equipado com motor refrigerado a água,
apenas Gol e Saveiro tiveram motores boxer derivados do Fusca. O motor
inicialmente o MD 270 de 1,5 litro e carburador de corpo simples, o mesmo
utilizado pelo Passat e rendia 65 cv de potência e 11,5 kgfm de torque o que
levava a velocidade máxima de 148 km/h, não era muito mas suficiente para os
padrões da época, sem contar o nível de ruído muito menor quando comparado ao
Gol. Em 1983, o motor era aprimorado, contava agora com 1600 cm³ de cilindrada
e ganha o nome de MD 270 Torque, além do acréscimo de cilindrada a taxa de
compressão era aumentada, novos comando de válvulas, pistões, carburador de
corpo duplo e ignição eletrônica faziam com que a potência subisse expressivamente
totalizando 81 cv e 12,8 kgfm nos motores a álcool. Era oferecido ainda no
mesmo ano novo cambio de 4 marchas, na verdade um 3+E, onde a ultima marcha
atua em favor à economia de combustível, tal medida foi adotada até a VW
trouxesse o cambio de 5 velocidades. Era apresentada também a versão 4 portas
que ficou no mercado nacional por apenas 3 anos, podia ser harmoniosa e prática
para as famílias, mas na época carros desta configuração sofriam a emplacar no
país, hoje como todos sabem é exatamente o oposto. Em 1985, toda linha ganhava
novos motores de 1,6 e 1,8 litros, os EA 827 ou simplesmente AP (Alta
Performance). Esses motores alinhavam a filial a matriz alemã, esses motores
tinham um funcionamento mais suave pelo uso de bielas mais longas, tal
suavidade, robustez e simplicidade fazem do motor AP o favorito dos
preparadores brasileiros até os dias de hoje. O AP 1600 rendia 90 cv de
potência e tinha torque de 13.05 kgfm, nos AP 1800 a potência era de 96 cv e o
torque máximo chegava aos 15,2 kgfm em ambos os casos os dados são dos motores
movidos a álcool.
Em 1988, toda linha BX passava por uma remodelação externa e interna,
mas nada muito inovador, as linhas básicas permaneciam as mesmas, porém as
mudanças conferiam um toque de modernidade aos modelos que incluem o Voyage,
nova grade dianteira, novos faróis, piscas dianteiros passaram a vir na
extremidade dos para-lamas, para choques envolventes feitos em plástico,
lanternas traseiras sem os frisos e de visual mais moderno no caso do sedan e
retrovisores externos integrados a coluna dianteira eram basicamente as
novidades. O carro também mudou em seu interior, nova padronagem dos tecidos,
painel remodelado sendo o famoso painel de comandos satélites equipando as
versões mais completas ou esportivas.
O ano de 1991, trouxe mais mudanças para linha da Volkswagen, mais uma
mudança estética, desta vez a frente dos carros ficavam mais arredondadas, os
faróis agora eram iguais em todos os carros, antes eram menores no Gol. A
mudança mais significativa nesta época foi a perda do motor AP 1600, agora era
empregado o motor AE 1600, na verdade nada mais era do que o motor CHT da Ford,
na primeira metade dos anos 1990, ambas empresas formaram um parceria chamada
Autolatina e, o acordo previa que a VW deveria usar motor de origem Ford nos
modelos de entrada e a Ford ganhava o AP para sua linha mais requintada e
versões mais caras do Escort. O motor CHT não provem da mesma elasticidade dos
AP, seu projeto mais antigo e é na verdade derivado do motor Renault que
equiparia um modelo da Wyllis que veio a ser o Ford Corcel, a Wyllis foi
adquirida pela Ford e antes representava a Renault no brasil, esse motor rendia
76 cv e tinha um torque máximo de 13,3 kgfm, economia era o forte do AE cujo o
significado era exatamente Alta Economia, mas ficou apenas até 1993 no mercado
quando o AP voltou a equipar os 1.6 da marca de origem alemã.
O Voyage no Brasil sempre viveu à sombra do Gol, suas vendas eram boas
porem muito inferiores as do hatch, fora do Brasil o pequeno sedan foi bem
sucedido, vendeu em mercados latino americanos onde recebia o nome de Gacel e
Senda na Argentina, Amazon em países como Chile, Equador e Peru. A versão mais
emblemática destinada a exportação foi a destinada aos Estados Unidos e Canadá,
lá o Voyage passava a ser identificado como Fox, e desde ano de 1987 contava
com injeção eletrônica e catalisador para atender as normas de emissões dos
países norte americanos, era uma das mais de duas mil modificações no veículo
destinado para estes mercados, para-choques resistente a pequenos impactos,
faróis recuados abolidos na reestilização de 1991, pois as leis americanas não
exigia mais o uso de faróis recuados, repetidores de pisca e refletores (olho
de gato) nas laterais, era vendido nas versões 2 e 4 portas, esta voltou a ser
oferecida no Brasil em 91, a versão Fox foi descontinuada em 1993.
No Brasil o Voyage resistiu até 1995, quando deixou de ser produzido até
o ano de 2009, no período que ficou sem vender a concorrência emplacaram com
sucesso modelos similares como Chevrolet Corsa Sedan e Fiat Siena. Em 1996, era
oferecido o Polo Classic que vinha da Argentina, o modelo nunca rendeu boas
vendas no Brasil e reforçou ainda mais a falta que fazia o Voyage, mesmo hoje
com o modelo moderno, o antigo ainda é objeto de desejo para muitas pessoas,
qualidades não faltam para tanta admiração e sua aceitação em mercados
exigentes como nos EUA e Canadá reforçam o quão importante foi o carro para
filial brasileira da Volkswagen.

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