Fiat Tempra
O Tempra cujo nome significa
temperamento em Italiano foi objeto de desejo da classe média brasileira no
início da década de 1990, chegando ao Brasil quase que exatamente um ano após o
seu lançamento no mercado europeu. No país a tarefa do primeiro sedã médio da
marca italiana após sua chegada ao país no ano de 1973.
O carro logo virou sonho de consumo de grande parte da classe média, era
mais moderno que seus concorrentes já consagrados no mercado eram eles o
Chevrolet Monza, versão modificada do Opel Ascona de terceira geração, o famoso
“Tubarão” só foi vendido no mercado nacional. Outro concorrente de peso o
Santana da Volkswagen, carro médio de grande sucesso, porém aquela altura o
projeto de ambos haviam envelhecido e ficava evidente a modernidade do Tempra,
inclusive pela oferta de equipamentos e pelo design cujo os vidros rentes a
carroceria conferiam um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,32 Cx, mais alto
que os 0,28Cx do carro italiano graças a carroceria mais distante do solo no
nacional. Outro concorrente o Ford Versailles era lançado quase em conjunto com
o Fiat, porém nada mais era do que uma versão do Santana com a marca Ford em
tempos da holding entre a empresa alemã e americana conhecida por Autolatina.
Internamente o Tempra se distanciava de seus concorrentes, conseguia
acomodar 5 adultos com relativo conforto, alguns comandos ficavam fora do
alcance das mãos do motorista mas nada que tirasse a notoriedade daquele
veículo completamente novo no mercado nacional, até mesmo o conjunto mecânico
era inédito.
A história do Tempra porem esteve longe de ser uma maravilha, o carro
apresentou diversos erros na execução da tropicalização, o banco traseiro era
fixo pois a suspensão traseira deveria ser mais robusta do que a do carro
europeu, mas as coisas se agravavam no quesito mecânico. O motor de 2litros de
origem argentina e com duplo comando no cabeçote contava com 8 válvulas, um
comando era responsável pelas válvulas de admissão e o outro pelas de escape, o
projeto desse motor datava dos anos 1970, fora usado nos Fiat Ritmo e italiano
e no Hermano Regatta, era um motor moderno para os padrões brasileiros, os
últimos carros a terem duplo comando e cabeçote de fluxo cruzado foram os Alfa
Romeo que haviam saído de linha na década anterior. No momento em que os
concorrentes ofereciam injeção eletrônica multiponto, o Fiat contava com
carburador o que tornava seu desempenho antiquado e as normas exigiam o uso de
catalisador, sacrificando ainda mais o desempenho do carro que chegava da
imobilidade aos 100 km/h em 12,28 segundos, marca modesta no segmento.
A combinação carburador/catalisador, não foi a das melhores, os odores
provenientes do excesso de combustível graças a falta de um sistema de correção
de oxigênio, o cheiro desagradável lembrava ovo podre, na verdade era gás sulfúrico.
O motor do carro nacional com essa configuração rendia 99cv de potência e um
torque 16,4kgfm, não era um motor fraco, mas para o peso de 1250 kg era insuficiente
o funcionamento do motor era áspero, algo inexistente no Tempra SW e no Tipo,
pois ambos utilizavam árvores de contra balanço, o que mostra que o a inferioridade
dos automóveis nacionais em relação aos vendidos no restante do mundo não vem
de hoje. Além do motor inadequado o cambio era extremamente longo, ótimo em
rodovias mas um desastre no trânsito urbano, as respostas de aceleração eram
lentas em decorrência disso e os arranques em subidas mais íngremes pediam
aceleração exagerada,
em poucos meses o problema foi resolvido reduzindo as relações do diferencial
de 3,56:1 pra 3:73:1 porém a nova configuração só era executada caso o
proprietário desejasse.
Apesar de suas falhas o Tempra foi um salto na precisão e suavidade nos
engates do cambio algo até então muito criticado em relação a marca italiana no
Brasil, os semieixos de mesmo comprimento uma novidade bem vinda em carros com conjunto
motopropulsor transversal trazia um ganho no comportamento direcional e nas
acelerações. Porem a suspenção traseira carecia de uma melhor calibração, por
vezes a traseira perecia desgarrar em curvas, comportamento que não condiz com
um sedã familiar, não comprometia a segurança e era mesmo apenas uma sensação
de sobre esterço que na verdade não existia.
Em 1992, um ano depois do lançamento no mercado nacional a Fiat
precisava de adaptar sue produto ao gosto do mercado e foi lançada a versão 2
portas, hoje a situação se inverte, raros modelos são oferecidos nesta
configuração. No caso do Tempra o resultado foi interessante a carroceria
ganhou ares de cupê. Em 1993, um novo motor agora 16 válvulas na verdade o
mesmo 2.0 com novo cabeçote, o ganho de potência foi de 28cv, totalizando 127cv
declarados, alguns testes feito por publicações na época informavam algo em
torno de 134cv, o que enquadraria o Tempra em uma alíquota maior de IPI na
época calculado pela potência sendo o limite de 128cv para pagar menos, anteriormente
o valor era de 99cv. A aceleração de 0 a 100 km/h era feita agora em 9,8
segundos e a velocidade máxima era de 202 km/h. O torque subia para 18,4kgfm,
4kgfm a mais que o 8 válvulas, porém o torque máximo só estava disponível às 4750
rpm, a melhoria em baixa rotação era muito sensível e a aspereza de
funcionamento permanecia.
A configuração de 16 válvulas estava presente apenas na versão topo de
linha Ouro, a versão trazia rodas de 14 polegadas eram de alumínio usinado e
vinham com pneus 195/60. Os freios usavam disco nas quatro rodas e contavam com
sistema antitravamento o conhecido ABS, os bancos eram revestidos em couro e
contavam com ajuste elétrico, retrovisor interno fotocrômico e externos com
lentes azuladas antiofuscantes, os vidros tinham comando elétrico inclusive no
vidro traseiro basculante no caso da versão de 2 portas. A direção ficava mais
rápida e pioravam a sensação de sobre
esterço.
Em 1994, a concorrência traz um concorrente potencial o Vectra. No carro
da GM a versão GSi com motor 2litros 16 válvulas de 150cv davam um banho de
eficiência diante o motor semelhante utilizado no carro da Fiat que pegando
carona no lançamento do primeiro carro turbo de fabrica o Uno 1.4 Turbo i.e.
preparou para o Tempra como modelo 1995 a versão Turbo. O Tempra Turbo 2.0 i.e.
contava com a potência de 165cv, mesma potência do Omega 3.0, o motor era um 8 válvulas
que recebia um turbocompressor Garret com pressão de 0,8 kg/cm² e contava com
intercooler. A velocidade máxima declarada pela fábrica de Betim era de 220
km/h, dez à mais do que o Omega, a velocidade nunca foi atingida em um teste da
imprensa. A aceleração até os 100 km/h era feira agora em 8,2 segundos, o
torque máximo atingia os 26,5kgfm e aparecia a 3 mil rotações por minuto, mesmo
com um diferencial mais longo e a demora da resposta da turbina era mais ágil
que o 16v. O motor turbo chegaria ao 4 portas apenas em 1996 na versão Stile.
O turbo trazia um acabamento externo diferente com rodas de desenho mais
agressivo, aerofólio com luz de freio integrada esses detalhes davam ao carro
um ar mais esportivo. A suspensão contava com diversas melhorias técnicas,
porem se estendeu a parte visual por ser mais baixa e na dianteira a cambagem
sem um pouco mais negativa. No interior ar condicionado de controle automático
de temperatura, antena integrada o vidro traseiro, controle dos vidros com
temporizador, sensor antiesmagamento e função de um toque. No painel
destacava-se o computador de bordo de 7 funções, porém uma delas substituía o
hodômetro parcial.
No final de 1995, a versão perua chega ao Brasil importada da Itália, o
motor de funcionamento mais suave por conta das árvores de contrabalanço era o
mesmo utilizado no Tipo, assim como a suspensão mais refinada que melhorava
muito o comportamento do carro em curvas, melhorias que nunca chegaram ao sedã.
Apesar de ter vários problemas o Tempra foi o sedã mais bem sucedido da
Fiat no Brasil, o carro reunia sim características atrativas, foi sonho de
consumo de muita gente, porém sua manutenção requeria cuidados muitas vezes
negligenciados não só pelos donos mas também pela rede autorizada, hoje é raro
ver um em boas condições e o mercado de peças é escasso até 1998, foram
vendidas 204.795 unidades, no mesmo ano o Tempra deu definitivamente o seu
lugar ao Marea com o qual conviveu praticamente um ano, o Tempra a essa altura
sentia os sinais do tempo e a concorrência aumentou e contava com candidatos
mais modernos, o Tempra sem dúvidas já é um clássico nacional e talvez seja o
mais bem sucedido sedã médio da Fiat, mesmo tendo passado mais de 20 anos...

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